Trump vs. Energia limpa: O futuro da política global sob a ascensão dos combustíveis fósseis - Como o Brasil e o mundo se posiciona?
A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 28), realizada em 2023, trouxe um compromisso global para reduzir o uso de combustíveis fósseis. No entanto, apenas um ano depois, a política energética mundial começa a tomar um rumo contrário.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao declarar emergência energética e retomar políticas voltadas para a exploração de petróleo e gás, gerou um efeito dominó que afeta diretamente a transição para energias renováveis. Seu lema "perfure, baby, perfure"
resume bem a nova abordagem: incentivar a exploração máxima de recursos fósseis sem grandes preocupações ambientais.
Com os EUA como maior produtor de petróleo e gás do mundo, essa mudança de postura tem impacto global, incentivando outros países a reverem suas políticas ambientais e energéticas. O que parecia uma transição irreversível para fontes limpas agora enfrenta um forte revés.
A influência dos EUA na política energética global
Os Estados Unidos são uma potência energética. Suas decisões afetam o mercado global de energia e influenciam diretamente as políticas de outros países. Quando um governo como o de Trump coloca os combustíveis fósseis como prioridade, isso gera repercussões internacionais:
1.
Redução dos compromissos climáticos: Países que se comprometeram com a transição energética podem rever seus planos ao verem os EUA priorizando o petróleo e o gás.
2.
Pressão econômica: O aumento da produção americana pode reduzir os preços do petróleo, tornando a energia renovável menos competitiva.
3.
Exemplo político: Líderes de países com grandes reservas fósseis usam a política americana como justificativa para também priorizar suas indústrias de petróleo e gás.
Essa mudança de rumo pode ser um golpe duro para o Acordo de Paris e para o compromisso global de reduzir as emissões de carbono.
A reação dos países: Um efeito dominó?
A retomada do foco nos combustíveis fósseis pelos EUA influencia diretamente outros países. Muitos governos que estavam investindo na transição energética agora começam a reconsiderar suas estratégias. Alguns exemplos:
- Indonésia: Como um dos dez maiores emissores de carbono, questiona por que deveria reduzir emissões se os EUA não estão comprometidos.
- Malásia e Sudeste Asiático: Regiões com forte dependência do carvão podem adiar a transição para energias limpas.
- Noruega e Reino Unido: Empresas de energia já indicam cortes em investimentos em renováveis e aumento na produção de petróleo e gás.
- Brasil: O governo Lula já demonstrava interesse em expandir a exploração de petróleo, mesmo antes de uma possível reeleição de Trump. A polêmica sobre a foz do rio Amazonas ilustra bem esse dilema.
- Argentina: O presidente Javier Milei já sinalizou que pode abandonar o Acordo de Paris, chamando o ambientalismo de "agenda woke".
- África do Sul: Enfrenta dificuldades em seu plano de transição energética de US$ 8,5 bilhões, e a tendência é de novos atrasos.
Esses países agora enfrentam um dilema: continuar na transição para fontes renováveis ou seguir o caminho dos EUA e apostar nos combustíveis fósseis?
O papel dos mercados: O dinheiro segue o petróleo
A política energética de Trump não afeta apenas governos, mas também o mercado financeiro. Os investidores agora estão mais inclinados a apoiar o setor de combustíveis fósseis, reduzindo o fluxo de capital para energias renováveis. Alguns fatores que reforçam essa tendência:
- Bancos abandonando compromissos climáticos: Grandes instituições financeiras dos EUA estão deixando de apoiar iniciativas para zerar emissões líquidas de carbono.
- Alta volatilidade econômica: Incertezas globais tornam investimentos em renováveis menos atrativos no curto prazo.
- Aumento da demanda por petróleo: Índia, Coreia do Sul e Japão já demonstram interesse em importar mais energia dos EUA, fortalecendo ainda mais a indústria fóssil.
- Isso cria um ciclo vicioso: quanto mais dinheiro investido em petróleo e gás, mais difícil fica para as energias renováveis competirem e se tornarem viáveis no curto prazo.
O caso brasileiro: A exploração da Foz do Amazonas
O Brasil enfrenta um dilema político e ambiental com a possível exploração de petróleo na foz do rio Amazonas. De um lado, o governo e a Petrobras defendem que o país precisa conhecer seus recursos naturais e avaliar sua viabilidade econômica. Do outro, ambientalistas e o Ministério do Meio Ambiente alertam para os riscos ambientais e o impacto na biodiversidade.
- Lula e a defesa da exploração: O presidente argumenta que o Brasil tem direito de explorar suas riquezas naturais e que estudos devem ser feitos.
- Marina Silva e a oposição ambiental: A ministra do Meio Ambiente e o Ibama resistem à concessão de licenças, alertando para os riscos.
- Pressão internacional: Com o Brasil sediando a COP 30, a decisão de explorar petróleo pode gerar forte repercussão global.
Esse embate reflete o desafio de equilibrar crescimento econômico e compromissos ambientais.
Para onde vamos?
- O mundo está em um ponto de inflexão. A transição energética, que parecia ser o caminho natural, agora enfrenta obstáculos significativos. Com Trump impulsionando a produção de combustíveis fósseis e países seguindo esse exemplo, o futuro da política energética global se torna incerto.
- Os próximos anos serão decisivos. Se a tendência atual continuar, os esforços para conter o aquecimento global podem ser drasticamente enfraquecidos. No entanto, a pressão internacional e o avanço tecnológico ainda podem manter a transição energética viva.
O que parece cada vez mais claro é que a batalha entre crescimento econômico e sustentabilidade será um dos grandes debates políticos da próxima década.