Conteúdo verificado
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025 às 09:56 GMT+0

Trump vs. Energia limpa: O futuro da política global sob a ascensão dos combustíveis fósseis - Como o Brasil e o mundo se posiciona?

A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 28), realizada em 2023, trouxe um compromisso global para reduzir o uso de combustíveis fósseis. No entanto, apenas um ano depois, a política energética mundial começa a tomar um rumo contrário.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao declarar emergência energética e retomar políticas voltadas para a exploração de petróleo e gás, gerou um efeito dominó que afeta diretamente a transição para energias renováveis. Seu lema "perfure, baby, perfure" resume bem a nova abordagem: incentivar a exploração máxima de recursos fósseis sem grandes preocupações ambientais.

Com os EUA como maior produtor de petróleo e gás do mundo, essa mudança de postura tem impacto global, incentivando outros países a reverem suas políticas ambientais e energéticas. O que parecia uma transição irreversível para fontes limpas agora enfrenta um forte revés.

A influência dos EUA na política energética global

Os Estados Unidos são uma potência energética. Suas decisões afetam o mercado global de energia e influenciam diretamente as políticas de outros países. Quando um governo como o de Trump coloca os combustíveis fósseis como prioridade, isso gera repercussões internacionais:

1. Redução dos compromissos climáticos: Países que se comprometeram com a transição energética podem rever seus planos ao verem os EUA priorizando o petróleo e o gás.
2. Pressão econômica: O aumento da produção americana pode reduzir os preços do petróleo, tornando a energia renovável menos competitiva.
3. Exemplo político: Líderes de países com grandes reservas fósseis usam a política americana como justificativa para também priorizar suas indústrias de petróleo e gás.

Essa mudança de rumo pode ser um golpe duro para o Acordo de Paris e para o compromisso global de reduzir as emissões de carbono.

A reação dos países: Um efeito dominó?

A retomada do foco nos combustíveis fósseis pelos EUA influencia diretamente outros países. Muitos governos que estavam investindo na transição energética agora começam a reconsiderar suas estratégias. Alguns exemplos:

  • Indonésia: Como um dos dez maiores emissores de carbono, questiona por que deveria reduzir emissões se os EUA não estão comprometidos.
  • Malásia e Sudeste Asiático: Regiões com forte dependência do carvão podem adiar a transição para energias limpas.
  • Noruega e Reino Unido: Empresas de energia já indicam cortes em investimentos em renováveis e aumento na produção de petróleo e gás.
  • Brasil: O governo Lula já demonstrava interesse em expandir a exploração de petróleo, mesmo antes de uma possível reeleição de Trump. A polêmica sobre a foz do rio Amazonas ilustra bem esse dilema.
  • Argentina: O presidente Javier Milei já sinalizou que pode abandonar o Acordo de Paris, chamando o ambientalismo de "agenda woke".
  • África do Sul: Enfrenta dificuldades em seu plano de transição energética de US$ 8,5 bilhões, e a tendência é de novos atrasos.

Esses países agora enfrentam um dilema: continuar na transição para fontes renováveis ou seguir o caminho dos EUA e apostar nos combustíveis fósseis?

O papel dos mercados: O dinheiro segue o petróleo

A política energética de Trump não afeta apenas governos, mas também o mercado financeiro. Os investidores agora estão mais inclinados a apoiar o setor de combustíveis fósseis, reduzindo o fluxo de capital para energias renováveis. Alguns fatores que reforçam essa tendência:

  • Bancos abandonando compromissos climáticos: Grandes instituições financeiras dos EUA estão deixando de apoiar iniciativas para zerar emissões líquidas de carbono.
  • Alta volatilidade econômica: Incertezas globais tornam investimentos em renováveis menos atrativos no curto prazo.
  • Aumento da demanda por petróleo: Índia, Coreia do Sul e Japão já demonstram interesse em importar mais energia dos EUA, fortalecendo ainda mais a indústria fóssil.
  • Isso cria um ciclo vicioso: quanto mais dinheiro investido em petróleo e gás, mais difícil fica para as energias renováveis competirem e se tornarem viáveis no curto prazo.

O caso brasileiro: A exploração da Foz do Amazonas

O Brasil enfrenta um dilema político e ambiental com a possível exploração de petróleo na foz do rio Amazonas. De um lado, o governo e a Petrobras defendem que o país precisa conhecer seus recursos naturais e avaliar sua viabilidade econômica. Do outro, ambientalistas e o Ministério do Meio Ambiente alertam para os riscos ambientais e o impacto na biodiversidade.

  • Lula e a defesa da exploração: O presidente argumenta que o Brasil tem direito de explorar suas riquezas naturais e que estudos devem ser feitos.
  • Marina Silva e a oposição ambiental: A ministra do Meio Ambiente e o Ibama resistem à concessão de licenças, alertando para os riscos.
  • Pressão internacional: Com o Brasil sediando a COP 30, a decisão de explorar petróleo pode gerar forte repercussão global.

Esse embate reflete o desafio de equilibrar crescimento econômico e compromissos ambientais.

Para onde vamos?

  • O mundo está em um ponto de inflexão. A transição energética, que parecia ser o caminho natural, agora enfrenta obstáculos significativos. Com Trump impulsionando a produção de combustíveis fósseis e países seguindo esse exemplo, o futuro da política energética global se torna incerto.
  • Os próximos anos serão decisivos. Se a tendência atual continuar, os esforços para conter o aquecimento global podem ser drasticamente enfraquecidos. No entanto, a pressão internacional e o avanço tecnológico ainda podem manter a transição energética viva.

O que parece cada vez mais claro é que a batalha entre crescimento econômico e sustentabilidade será um dos grandes debates políticos da próxima década.

Estão lendo agora

Fake News, polarização e controle: O perigo real da desinformação em 2025De acordo com o Relatório de Riscos Globais 2025 do Fórum Econômico Mundial, a desinformação foi identificada como o mai...
Séries mais assistidas da semana (09/03) : Dia Zero no topo, Ruptura e Reacher na sequência - ConfiraA semana de início de Março trouxe uma grande mudança no ranking das séries mais assistidas. A estreia de "Dia Zero", co...
Remédios mais caros (31/03): Entenda o aumento de até 5,06% em 2025 e como economizarA partir desta segunda-feira, 31 de março de 2025, os preços dos medicamentos regulados no Brasil podem sofrer um reajus...
Orquídeas e Darwin: Revelações sobre a evolução da natureza e os alertas para degradação ambientalNeste artigo, exploramos a fascinante relação entre as orquídeas, sua importância na história natural e seu papel como i...
Qual tipo de tutor de cachorro você é : Pai, companheiro ou amigo? Descubra aquiO vínculo entre tutores e seus cães tem evoluído ao longo do tempo. Se, no passado, os cachorros eram vistos como animai...
Banda Oasis anuncia retorno para Turnê em 2025A icônica banda britânica Oasis, liderada pelos irmãos Liam e Noel Gallagher, anunciou seu retorno aos palcos com uma tu...
Análise: O que esperar da política brasileira em 2025 - Desafios e perspectivasCom a chegada de 2025, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se depara com um cenário político, econômico e ...
Dicas de 31 filmes de suspense que você precisa ver - ConfiraO gênero de suspense é um dos mais populares e intrigantes no cinema, capaz de prender a atenção dos espectadores até o ...
Trump quer expulsar Palestinos de Gaza? Proposta polêmica gera revolta e alerta globalO presidente dos EUA, Donald Trump, sugeriu que os Estados Unidos assumam o controle da Faixa de Gaza e que os palestino...
As 20 maiores economias do mundo em 2023 - Posição do Brasil - Saiba maisO Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou as projeções para as maiores economias globais em 2023, destacando o pape...
Lula 3 em crise: Entenda a queda na popularidade do presidenteO terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta seu pior momento de aprovação popular, segundo a últ...