STF começa julgar Bolsonaro por tentativa de golpe: Defesas conseguiram mudar o jogo?

No dia 25 de março de 2025, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou o julgamento de uma denúncia histórica: a acusação da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outras sete pessoas por suposta tentativa de golpe de Estado. O caso, que divide opiniões e mobiliza a atenção nacional, foi tema de análise no programa O Grande Debate, da CNN, onde os comentaristas José Eduardo Cardozo e Caio Coppolla discutiram se as estratégias das defesas foram eficazes.
O contexto do julgamento
O STF começou a analisar se aceita ou rejeita a denúncia, com votação prevista para o dia 26 de março. O processo é considerado um dos mais relevantes da história recente do país, pois envolve alegações de tentativa de desestabilização democrática. Bolsonaro, conhecido por suas posições polêmicas, compareceu ao STF usando a principal condecoração do Exército, um gesto simbolicamente forte.
As estratégias das defesas: Divergências e objetivos
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José Eduardo Cardozo, ex-ministro da Justiça, destacou que as defesas apresentaram argumentos desencontrados. O principal ponto de discordância foi a delação do Major Mauro Cid, ex-assessor de Bolsonaro. Enquanto alguns advogados buscaram desqualificar o acordo de colaboração, outros tentaram usá-lo em favor de seus clientes. Cardozo ressaltou que essa falta de unidade pode se tornar um problema futuro, especialmente se a denúncia for aceita e o processo avançar para a fase de instrução.
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Já Caio Coppolla, analista político, defendeu que as defesas cumpriram seu papel ao questionar a legalidade do processo. Ele criticou o que chamou de "inversão perversa" da delação premiada, argumentando que, neste caso, as provas teriam sido usadas para justificar o depoimento do delator, e não o contrário. Coppolla também acusou a PGR e o STF de métodos arbitrários, como mudanças na jurisprudência e suposta coação para obter provas.
Pontos importantes do caso
1.
Impacto na democracia: O julgamento pode definir precedentes sobre como o sistema jurídico brasileiro lida com acusações de ameaça à ordem democrática.
2.
Divisão política: O caso reflete a polarização no país, com críticos de Bolsonaro vendo o processo como necessário e seus apoiadores o considerando perseguição política.
3.
Futuro da justiça: As discussões sobre delação premiada, provas e jurisprudência podem influenciar outros processos de alto perfil.
4.
Imagem internacional: O desfecho pode afetar a percepção do Brasil no exterior, especialmente em relação ao Estado de Direito.
O primeiro dia de julgamento deixou claro que o caso vai além de uma simples análise jurídica: é um embate político, midiático e ideológico. Enquanto as defesas tentaram minar a credibilidade das acusações, a PGR busca consolidar a narrativa de um suposto golpe. Se as estratégias dos advogados foram bem-sucedidas ou não, só o tempo e os votos dos ministros do STF dirão. Uma coisa é certa: o desfecho desse processo marcará a história do Brasil, seja como um exemplo de accountability democrático ou como um capítulo controverso na relação entre política e justiça.